Ainda me lembro quando ouvi o termo “nômade digital” pela primeira vez, lá por volta de 2013, época em que comecei a estudar marketing digital.
Estudei publicidade e propaganda na PUC-Campinas, no período off-line, quando tudo aquilo era novidade.
E foi nessa época, lendo um dos primeiros e-books que eu viria a baixar ao longo da vida, que começou o meu fascínio por aquele negócio de “trabalhar enquanto viaja”, ou “viajar enquanto trabalha”.
Nessa época eu trabalhava na IBM e muito antes de pandemia, já rolava um home office, mas de forma híbrida. Eu tava casada e meu filho era pequeno. Meu parceiro na época nem pensava nessas coisas e acabei deixando esse sonho adormecido e esquecido.

Anos se passaram. Saí da IBM e fui empreender. Lancei meu blog de fotografia. Ganhei dinheiro com ele e pela primeira vez senti um gostinho de “ganhar dinheiro online”.
Cansei de tudo aquilo, me deprimi trabalhando sozinha, me separei, fui parar no mercado imobiliário. Me dei muito bem. Cresci, fui gerente campeã. Vivia pro trabalho e tive uma crise de ansiedade em 2021.

Decidi que 2022 seria meu último ano naquele mercado. Eu queria voltar a trabalhar na minha área, no marketing digital. Entrei na Rock Content, uma empresa da qual era leitora assídua e que me ajudou muito na criação do meu blog.
Foi incrível trabalhar lá! Aprendi muito e conheci pessoas especiais que tenho contato até hoje e mais, que tive o prazer de conhecer pessoalmente na minha passagem por BH.
Nessa fase, minha prioridade era home office. Disso eu não abriria mão. Sem saber, fui plantando sementinhas que mais tarde fariam sentido.
2025 inicia com tantos planos! Em janeiro começo a trabalhar pra uma empresa do Sul, o time se reestruturando, crescendo.
Ali me encontrei. O trabalho fluía e eu me sentia eufórica: vivia um relacionamento com um cara legal que viria pro Brasil viver comigo. A vida, enfim, parecia fluir.
Ele chegaria em março e já no mês seguinte as coisas começavam a ficar estranhas.
Foi como se um furacão tivesse por ali, tirando tudo do lugar: minha sanidade, meu amor próprio, minha identidade.
Em junho todo aquele castelo de areia tinha afundado e me levado junto, pras profundezas. Meu mundo acabou junto com o fim daquele relacionamento. Eu não me reconhecia mais. Não entendia o que tinha acontecido.
O que eu precisava aprender? O que aquilo tudo queria me mostrar? Eu me perguntava.

Nessas de querer me entender… me conhecer melhor, me dei conta de que já tinha algo que tanto busquei: um trabalho remoto que me permitia liberdade geográfica. Na mesma hora veio a pergunta: por que não tô usufruindo disso?
Essa pergunta foi o início da minha inquietação. Foi quando lembrei daquele desejo que guardei lá no fundo do baú. “Essa é a hora!”, pensei.
E naquela semana eu começava a planejar essa minha primeira viagem solo: partiria pro Rio de Janeiro. Depois seguiria pra Minas, parando em Tiradentes e depois BH. Fiz meu roteiro. Esse seria um teste.
Precisava saber como me sairia viajando sozinha aos 45 anos.
Muita coisa passava pela minha cabeça e me dei conta de que eu tava com medo. E não era “medo de que algo pudesse acontecer”, mas medo de ir sozinha.
Já viajei a trabalho sozinha muitas vezes. Mas é diferente. Bem diferente. Hoje posso dizer.
Senti medo de viajar sozinha. Muito. Mas só de pensar na possibilidade de não ir, me dava pânico. Esse sinal foi um forte indicativo de que eu devia seguir meu rumo.
Saí no dia 01/10 de 2025. Às 3 da manhã, pois nesse dia eu trabalhava e tinha reuniões.

• meu café da manhã no Posto Mamão • chegando no RioLembro nitidamente de quando saí de casa, dirigindo pelas ruas vazias da madrugada, e comecei a chorar. Não era tristeza. Era um choro de renascimento.
Aquela Chris que deixava tudo pra trás naquela madrugada não era a mesma que entrou no carro. Foi quando me dei conta de que a viagem de fato começou no momento em que me fiz a pergunta inquietante.


