Quando tomei a decisão de viajar sozinha, o primeiro lugar que me veio em mente foi a cidade maravilhosa.
Era agosto quando comecei a bolar meu plano e eu pretendia passar o mês de outubro todo no Rio. Coincidentemente, faço aniversário dia 15 deste mês. Esse seria meu renascimento, mas só depois fui perceber, na terapia.
Assim que tive certeza de que seria o Rio (e isso se deu de forma totalmente sem explicações racionais), a minha preocupação era onde ficar: que bairro, que tipo de lugar…
O universo conspirando (como uma conversa no WhatsApp mudou tudo)
Parece frase de coach no Instagram, mas é real: as pessoas certas aparecem na hora certa. No meio do meu planejamento, recebi uma mensagem da Nay, uma colega da Rock Content. Ela me pedia ajuda pra traduzir um documento, mas quem acabou me ajudando (MUITO) foi ela.
Ali trocamos mensagem e comentei do meu desejo secreto (agora já não mais tão secreto) de viajar. Ela fazia isso nos tempos em que trabalhamos na Rock e eu achava demais! No mesmo dia marcamos um café virtual (ela mora em BH e até então nunca tínhamos nos visto pessoalmente). Falamos por mais de uma hora e ela foi como uma luz, me mostrando caminhos e formas de fazer acontecer que eu nem tinha considerado (e que depois fui descobrir que foram as melhores coisas!).
Pessoas que a gente menos espera são as que mais ajudam nessas horas. Vai entender…
O plano da viagem começa a se desenrolar
Dali em diante a viagem foi meu hiperfoco. Defini que ficaria o mês de outubro no Rio e depois partiria pra Minas, rumo a BH (onde ficaria mais um mês), dando uma parada no meio do caminho, em Tiradentes.
Pesquisei horrores sobre ‘melhores bairros pra ficar no Rio’ e decidi ficar em Ipanema. Ali me parecia ser a melhor escolha: eu estaria sozinha e no bairro tem tudo perto. E mais, defini que queria ficar no canto de Ipanema, já perto do Arpoador. Queria estar perto do mar e daquele pôr do sol clássico com a vista do Dois Irmãos.


Escolhendo a hospedagem no Rio
A princípio pensei em alugar um apto só pra mim no AirBnb, ideia que acabei mudando depois do papo com a Nay que me falou pra alugar um quarto! Assim, além de economizar com acomodação, eu não ficaria sozinha.
Confesso que fiquei bem desconfortável com essa ideia logo de início, pois não era um formato de que eu tinha hábito. Sempre viajei com mais alguém e alugava o espaço todo. Privacidade era algo importante e por isso fiquei meio inquieta com essa ideia.
Mas topei testar. Desde que eu tivesse um banheiro só pra mim (compartilhar banheiro seria muito avançado ainda, rs).
Como eu não estaria de férias, mas sim trabalhando, precisava de um espaço de trabalho, internet boa, lugar pra guardar minhas roupas (a mala era grande) e meu banheiro. Precisaria usar a cozinha também pra fazer meu café da manhã e uma refeição ou outra. Porque eu também queria comer na rua!
Foram dias e mais dias de pesquisa no Airbnb… Falei com vários anfitriões, li todos os comentários, comparei ruas no Street View, vi o que tinha no entorno até que finalmente achei! Um quarto espaçoso, com escrivaninha e guarda-roupa e um banheiro só meu. Meus anfitriões seriam Grace e Mauro, um casal de cariocas, na faixa dos 70, que amei conhecer!
E consegui também uma vaga de garagem. Tinha tudo que precisava!


O dia da viagem chega
Fui de carro. Dirigir é terapêutico pra mim.
Era primeiro de outubro e eu acordaria às 3 da madrugada pra pegar a estrada e chegar no Rio a tempo da reunião de quarta-feira, às 10h. Não consegui participar, pois fui chegar no apartamento só às 11h30. Quando calculei o tempo, não pensei no trânsito que teria perto de chegar no Rio.
A viagem foi tranquila. Parei duas vezes pra comer e tomar um café, numa delas no Posto Mamão, já no estado do Rio e mandei ver num combo de café da manhã que eles tinham por R$39,90! Posto Mamão fez a boa!


A chegada pela linha vermelha é de trânsito intenso. Mas, diferente de quando a gente chega em São Paulo, pela Marginal, e olha ao redor e só vê prédio e tudo é cinzento, ali era diferente: especialmente naquele dia o céu tava um azul absoluto e eu não via aquele monte de prédio, mas natureza: morros, árvores, pedras… o Cristo.
Confesso que nem foi problema lidar com o trânsito porque eu vivia uma intensidade internamente: tinha acabado de chegar no meu primeiro destino e teria um mês pela frente. Eu nem fazia ideia de tudo o que viveria, mas eu tava disposta a me abrir. Minha primeira viagem solo era real.
O dia a dia no Rio
Com poucos dias ali já conseguia me situar bem. Ipanema é um bairro planejado, as ruas são todas ordenadas e fica muito fácil se localizar! Perfeito pra mim, que tenho sérios problemas com geolocalização…
Já tinha o meu mercado preferido, a padaria, a academia, lugares pra comer, cafeterias (porque eu amo um café). Até no salão eu fui e, pro meu espanto, paguei o mesmo que pago em Campinas.
Achei que seria mais caro por estar em Ipanema, mas me dei conta de que Campinas, sim, é que tá muito cara pra se viver!
O carro ficou na garagem a maior parte do tempo porque eu andava a pé ou de metrô. Às vezes um 99, que sempre tava com preço melhor que Uber.
Eu tava do lado da estação do metrô da General Osório! Comprei meu “Rio Card” e pronto! Chegando lá, descobri que tem o “Ja é”, um cartão que unifica tudo (metro, ônibus, VLT), mas eu acabei usando só metrô e pernas. Muita caminhada!
Sobre os preços de mercado também estavam bem parecidos com Campinas, com pequenas variações… Algumas coisas com preço melhor (café, frutas, entre outros mantimentos) já outras com valor bem maior (tipo o leite sem lactose que tava quase 3x mais que Campinas).
Sobre gastos com comida, restaurantes e coisas do gênero, tem de todo tipo! E isso eu adorei. Tem lugares caros, requintados, mas tem também muita opção barata!
Eu ia balanceando… Um dia comia um PF de R$20, no outro comia numa padaria goumert metida a besta e gastava R$80 num café da manhã. Ia intercalando entre momentos de Helena, de Manoel Carlos e de turista com baixo orçamento que almoça dois salgados suspeitos numa barraca na Praça N. Senhora da Paz, de um turco e um venezuelano.
Outros dias eu comprava coisas no mercado, preparava em casa e já deixava jantinhas prontas pra semana.
Teve também almoço, lanche ou café com pessoas dos tours que participei, em vários bairros. Essas coisas não planejadas que simplesmente acontecem quando estamos em movimento.
A maravilha dos Walking Tours no Rio
Durante o planejamento da viagem, ainda em Campinas, comecei a pesquisar coisas pra fazer. E talvez isso seja um problema porque no Rio o que não falta é coisa pra fazer. É tanta coisa que comecei a ficar perdida. Fui marcando pontos no mapa e precisaria de meses pra conhecer aquilo tudo (lembrando que não tava em viagem de férias!).

Eis que um dia vejo um vídeo do Porta, onde o Gregório fazia uma publi do Civitatis, esse aplicativo de tours. Na mesma hora instalei o app (a publi funcionou super comigo! rs).
Ter começado a viagem pelo Rio foi a melhor coisa. Tinha dezenas de tours! E foi aí que fiquei sabendo do tal do ‘free walking tour’. O ‘free’ não significa que é de graça, mas que somos ‘livres’ pra definir quanto contribuir com o guia.
Gostei tanto disso que fui em quase todos os ‘free walking tours’ do Rio, pela Civitatis. Teve outros passeios que agendei direto com o guia (o do Morro Dois Irmãos, o da Rocinha e o da Pequena África)… e fiz outros passeios guiados, no Jardim Botânico e no Sítio Burle Marx. Amei todos eles. Cada bairro do Rio é uma pequena cidade. ‘O Rio é uma cidade de cidades misturadas’, exatamente como disse Fernanda Abreu. Cidade maravilha mutante…
Esses foram os tours que fiz durante um mês no Rio:
Walking tour no Centro Histórico
Tour guiado no Jardim Botânico
Trilha no Morro Dois Irmãos pra ver o nascer do sol
Tour da Pequena África
Walking tour em Ipanema e Copacabana
Tour de 4×4 na Floresta da Tijuca
Walking tour na Favela da Rocinha
Walking tour na URCA
Walking tour em Santa Tereza
⇒ Com o tempo vou contando como foi cada um desses tours e qual a minha impressão sobre eles.
Como foi andar sozinha pelo Rio de Janeiro
Verdade seja dita, andei muito no Rio. Fazia tudo a pé no meu dia a dia. Como estava em Ipanema, foi lá que passei a maior parte do tempo (inclusive quando teve a Mega Operação da polícia no Complexo do Alemão e na Penha, perto da minha partida do Rio).
Andar por Ipanema é uma delícia! As ruas são arborizadas, tem um ventinho fresco que em alguns momentos fica bem intenso e é preciso colocar uma blusinha leve…
Cada quarteirão é cheio de restaurantes, bares, cafés… mesinhas na calçada. Bancas de jornal que vendem de tudo. A Visconde de Pirajá, onde tem a maior parte do comércio, e onde ficava a academia. A Barão da Torres, onde eu ia no mercado. A Farme de Amoedo, que era só descer 3 quadras pra chegar na praia.
No dia que cheguei no Rio, disse pra mim mesma: hoje tenho que ir na praia no final do dia, pisar na areia e ver o pôr do sol. Queria me integrar ali. E assim eu fiz. Desci a Farme olhando tudo ao redor. As calçadas cheias de pessoas indo ou voltando da praia… vários sotaques: brasileiros de outros estados, gringos.
Como participei de vários passeios em bairros diferentes, caminhei sozinha muitas vezes. Teve um sábado que não fiz nenhum tour e quis ir pro centro, pra conhecer o CCBB e dar umas voltinhas pela Confeitaria Colombo, Casa Cavé, Rua do Ouvidor…
Fui sozinha. Andei em ruas estreitas, vazias. Andei rápido, sem nada na mão, e nada aconteceu. Não me considero uma pessoa medrosa ou encanada por andar sozinha. Mas confesso que senti uma certa tensão enquanto andava por alguns trechos do centro, meio vazios e estreitos. Mas passei logo por eles.
Teve um domingo que fui para o Cosme Venho. Andei bastante por lá, descendo até Laranjeiras. Nesse dia peguei um 99 até o Café Capitú (casa onde viveu Machado de Assis), que fica no Cosme Velho. De lá fui andando, subindo a enorme ladeira das Laranjeiras, até o Largo do Boticário. De lá, continuei subindo até o Instituto Roberto Marinho. Depois, voltei descendo aquilo tudo… Andando e suando no sol das 13h.
No dia em que fiz o tour de 4×4 na Floresta da Tijuca, na volta fiquei em Copacabana, já no início da noite. Fui caminhando até meu apartamento, em Ipanema. Copa é bem diferente. É tudo mais grandioso, avenidas, prédios, gente. Ali tive certeza de que Ipanema tinha sido a melhor escolha. Lá é mais aconchegante, tudo é mais perto, ligeiramente mais tranquilo. Simplesmente me sentia melhor em Ipanema.
Andei acompanhada em vários outros momentos também! Durante os tours fazia amizade, ia pra outros lugares, conhecia pessoas!
Não passei por nenhuma situação estranha ou desconfortável durante o mês todo em que fiquei no Rio. Nem mesmo durante os dias inflamados pela megaoperação. Não saí de Ipanema naqueles dias e por lá continuava tudo ‘normal’.
Pessoas que encontrei no Rio
Numa das minhas andanças por Ipanema, passava pela Barão da Torre, quase em frente ao Colégio Notre Dame, e vejo uma cena na minha frente: na calçada onde eu estava, um menino, adolescente já, em pé ao lado da bike elétrica, segura numa das mãos um buquê de flores, que escondia atrás de si.
Eu queria muito fotografar aquela cena, mas não quis desconcentrar o menino, que olhava fixamente pro portão do Colégio, nervoso, talvez faria um pedido de namoro. Ou de desculpas, por alguma merda que fez. O fato é que ele tava tenso! Fui andando e pensando no que ele ia dizer…
Teve o Victor, que conheci num final de tarde que fui até a Pedra do Arpoador, pra fazer adivinha o que… claro, ver o pôr do sol. Tava lá, sentada na pedra, admirando aquela vista e ele passa, vendendo brigadeiro. Ficamos conversando pelos próximos 40 minutos e caminhamos juntos na volta, até seu ponto de ônibus. Ele me contou que estuda cinema e audiovisual, que gosta de música clássica e sempre foi de comunidade. Os brigadeiros, ele faz com a namorada pra completar a grana. 27 anos, moço simpático e desenrolado, me contou de várias façanhas que fez em trabalhos no audiovisual. Desde levantar o caminhão até gambiarras pra filmagens. Trocamos contato e falamos de fazer trilhas! Sim, comprei brigadeiro (beijinho e cajuzinho) e tava muito bom.
E também Seu Pedro, da barraca de coco na Lagoa Rodrigo de Freitas! Simpático e tranquilo, disse que tá lá faz anos… e quando comentei que tava gostando do Rio e que as pessoas estavam sendo legais comigo, ele logo alertou: só não pode dar bobeira! Tem que andar ligado. Não com medo! Mas sem coisas que chamam a atenção.
Eu tava de short jeans e camiseta, uma alpargata de uns 8 anos e uma bolsa preta da SHEIN. Falei pra ele: seu Pedro… eu nem uso nada! Tô de boa… e ele me contou que umas 2 horas atrás alguém passou e roubou a corrente de um cara que saía do clube que tinha logo adiante de onde estávamos.
Depois de uns minutos de conversa animada, ele me disse: você é bem cuca fresca! Alegre! ‘A vida já é dura demais, seu Pedro! A gente tem que aliviar… jogar leve’. Eu disse, me sentindo uma anciã, depois de ter passado pelos meses mais nebulosos da minha vida.
E o Maurício, garçom numa padaria chique e “instagramável”, me disse pra provar o pão com banana, queijo coalho e mel no Cantinho do Senado. Segundo ele, aquele é o verdadeiro e não esse que faziam na padaria onde estávamos.
Ele até se aproximou e falou mais baixo nessa hora. “Tomara que não me ouçam!” Ele disse… Gente boa demais! Não fui no Cantinho do Senado, apesar de ter passado bem perto dele, sem saber (é muita informação pra processar!).
Teve a Cíntia, carioca, que participou do tour no Centro Histórico, e almoçamos juntas aquele dia bem no pé da Escadaria Selarón. A Roxio, argentina, que conheci no tour em Ipanema e Copa, e falávamos num mix de portunhol e inglês. Fomos juntas até o Forte de Copacabana pra comer na Colombo e, de lá, fomos até o Bip Bip, bar fundado em 13 de dezembro de 1968 (no mesmo dia em que foi decretado o fatídico Ato Institucional nº 5), por um cara chamado Alfredinho.


O italiano simpático e sorridente que conheci no tour da Rocinha. O casal de mexicanos do tour de 4×4, de ressaca, pois tinham queimado a largada já na primeira noite, com caipirinhas. O casal do Uruguai que conheci na URCA.
No tour da Pequena África, um dos meus preferidos, conheci a Denise (carioca) e a Denia, que estava com o marido, casal de Minas, pra onde eu iria depois do Rio. Almoçamos juntos e depois fomos até o Museu do Amanhã. Os irmãos da trilha no Dois Irmãos… as amigas do tour em Santa Tereza, que são de São Paulo e trabalham com arte terapia.
Tinha uma pessoa que queria muito encontrar pessoalmente, a Tati. Trabalhamos juntas e ela mora na Ilha. Depois de várias tentativas finalmente conseguimos um sábado todo de sol e praia, no Leme. Amei ter conhecido a Tati pessoalmente. Fiquei até com vontade de ir pra outros estados e conhecer as outras pessoas do time.
E tem mais gente que encontrei pelo caminho!
As pessoas no Rio são extrovertidas! Alegres! É muito fácil falar com alguém. Mesmo sendo tímida e estando sozinha.
Prós e contras de ir sozinha pro Rio
Muitas coisas entram em jogo aqui, por isso o que compartilho é a minha experiência e como eu me senti. Cada um sente de um jeito. E esse é o legal.
Era a minha primeira viagem solo e tudo era novo pra mim. Meu momento de vida também era diferente de tudo. 2025 foi bem desafiador e a viagem veio pra me desafiar ainda mais.
Tive meus altos e baixos e teve sim dias em que me questionei de ter ido viajar sozinha. Nesses momentos eu olhava ao redor e só via casais, pessoas em grupo. E bateu uma tristeza por estar sozinha.
Num desses dias, fui pro tour da Pequena África e quando disse que viajava sozinha pra uma das colegas do tour, ela não pensou duas vezes e soltou: ahh, eu adoro viajar sozinha. Posso fazer tudo no meu tempo, fazer tudo do meu jeito e não dar satisfação pra ninguém.
Aquilo ecoou e me fez mudar de humor na hora. Como não aproveitar toda essa sensação de liberdade de seguir no meu ritmo e mais, de aprender a gostar de ficar comigo mesma?
Pessoas que encontramos pelo caminho…
Sozinha, prestava mais atenção em tudo e valorizava cada conversa com ‘estranhos’. Muitas vezes até puxava papo!
Mas para alguns tipos de rolê eu não fiquei muito animada em ir sozinha. Por exemplo, não fui à noite na Lapa pra tomar as famosas caipirinhas que têm por lá e curtir a noite.
E a frase daquela moça me pegou tão de jeito que eu lembrava dela em muitos momentos e simplesmente passei a curtir cada dia na minha programação livre.
Às vezes eu queria ficar tranquila, assistindo um filme e tava tudo bem! Queria almoçar às 4 da tarde e também tava tudo bem. Fiz uma programação pro dia seguinte e na última hora mudei tudo! Tudo bem também. Eu não devia explicações pra mais ninguém, a não ser pra mim mesma.
No dia do meu aniversário, me dei um café da manhã gostoso, numa daquelas padarias pomposas de Ipanema. Fiz as coisas sem pressa, no meu ritmo. Eu queria só curtir meu dia. Eu não ia fazer nada à noite. Só abrir uma Hocus Pocus (cerveja local que queria provar) e brindar meus 46 anos.
Nesse dia fui surpreendida pelos anfitriões. À tarde, enquanto trabalhava, Grace bate na porta do meu quarto perguntando se tinha planos pra noite. Disse que não… que estaria por ali mesmo. E ela então me diz que o Mauro queria abrir um espumante pra comemorar!
Foi tão inesperado e me deixou tão feliz que na mesma hora pedi um bolo de chocolate. À noite, cantamos parabéns, o Mauro estourou seu espumante e brindamos todos. Foi o aniversário mais diferente que já tive na vida e foi tão bom! Tão especial.


A verdade é que é difícil medir prós e contras de viajar sozinha. Tem o seu momento de vida, sua forma de interagir com pessoas e as coisas que você normalmente gosta de fazer. Independente de tudo isso, acredito que todos deveriam fazer ao menos UMA viagem solo na vida.
Essas experiências mudam a gente. Impossível voltar do mesmo jeito. Viajando sozinha, dá pra se ouvir melhor, se conhecer mais. Se testar, se reinventar.
Afinal, valeu a pena ter ido sozinha pro Rio?
Mil vezes sim!
Sem querer, de forma intuitiva, escolhi como primeiro destino uma cidade aberta, extrovertida, cheia de coisas e gente.
Mudei minha visão sobre alugar um quarto ao invés do espaço todo, pois adorei a interação com o casal de anfitriões! Me deram várias dicas da cidade e dos arredores, conversavam, mas também respeitavam minha privacidade. Comemorei meu aniversário com eles, almoçamos juntos, fizemos até um passeio no Sítio Burle Marx.
Grace e Mauro foram ótimos e foi graças a eles que parei no Kiosque do Alemão, subindo a Serra de Petrópolis (indo pra Minas) pra provar o tal do croquete. O Mauro me falou tanto desse lugar e que bom que parei lá, pensei depois de me acabar com 2 croquetes, fritos na hora, sequinhos e macios por dentro.


Cada pessoa com quem conversei na rua, nos tours, cada bairro onde fui. Tudo me fez sentir viva. Capaz de me adaptar num lugar novo onde não conhecia ninguém.
A viagem solo é um tratamento terapêutico poderoso. Principalmente quando estamos abertos a nos conhecer melhor. E eu, tava só começando essa nova etapa da minha vida.
Partindo do Rio, rumo a Minas
No dia 31/10, uma sexta, eu deixaria o Rio e partiria rumo a São João del-Rei. Trabalhei na parte da manhã, enquanto fazia uma retrospectiva mental do meu último mês, no Rio. Me lembrava com clareza do momento em que peguei a estrada, em Campinas, e chorava enquanto dirigia pelas ruas vazias, na madrugada. Falei mais sobre o porquê de ter começado a viajar sozinha aqui neste post.
A ansiedade de viajar sozinha me dava medo, mas o medo de não ir era ainda maior e isso me fez seguir adiante.
Hoje, enquanto escrevo este texto, agradeço pela pergunta simples que me fiz naquele dia de agosto, quando me sentia perdida dentro de mim mesma: ‘Por que não estou usufruindo do meu trabalho remoto?
Aquela inquietação mudou tudo: minhas certezas, minhas dúvidas e, principalmente, minha relação comigo mesma. Minha percepção de mim mesma. E o Rio foi só o começo.



